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Novas regras para carregador de carro elétrico em prédios geram polêmica

  • 3 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Normas dos Bombeiros obrigam vagas a terem chuveiro anti-incêndio e desligamento manual; associação do setor critica excesso de rigor

Novas diretrizes devem entrar em vigor em 180 dias
Novas diretrizes devem entrar em vigor em 180 dias

O Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (CNCGBM) publicou nesta semana um novo conjunto de regras para instalação de carregadores de veículos elétricos em prédios de todo o Brasil. O documento foi elaborado com o objetivo de orientar as corporações do país, principalmente sobre aspectos como segurança contra incêndio e controle de riscos em estacionamentos e áreas com pontos de recarga.


Segundo o conselho, os novos parâmetros foram elaborados com base em experiências operacionais, estudos técnicos internacionais, análises periciais, ensaios experimentais e registros de ocorrências reais em todo o território nacional. O intuito é servir de referência para setores como construção civil, indústria automotiva, mercado imobiliário, síndicos, instituições acadêmicas e usuários de veículos.


Novas regras têm o objetivo de orientar corpos de bombeiros, construção civil e mercado imobiliário
Novas regras têm o objetivo de orientar corpos de bombeiros, construção civil e mercado imobiliário

O documento padroniza as regras de instalação com as normas técnicas de instalação elétrica já vigentes, incluindo NBR 5410, NBR 17019 e NBR IEC 61851-1. Além disso, estabelece que a responsabilidade de instalação e garantia de eficiência cabe integralmente ao responsável técnico e/ou empresa instaladora, juntamente com o proprietário/responsável pelo uso. O prédio deve, obrigatoriamente:


  • Prever ponto de desligamento manual de todas as estações de recarga, a não mais de 5 metros da entrada principal, da entrada da garagem ou das escadas de acesso para os pavimentos da garagem da edificação;

  • Prever ponto de desligamento manual em todas as estações de recarga a não mais de 5 metros da própria vaga;

  • Garantir um disjuntor para corte de energia entre os módulos de recarga e a rede elétrica;

  • Possuir sinalização do ponto de recarga e do respectivo ponto de desligamento.


O documento estabelece também instruções para instalações em garagens externas, edificações novas, prédios mais antigos e residências unifamiliares. Para prédios novos, as exigências são:


  • sistema de detecção de incêndio;

  • sistema de chuveiros automáticos;

  • sistema de exaustão mecânica para ventilação do ambiente;

  • estrutura capaz de suportar o fogo por pelo menos 2 horas.


Para edificações existentes, as regras exigem:


  • chuveiros automáticos com a malha tubulação interligada ao sistema de hidrantes;

  • sistema de detecção de incêndio;

  • gerenciamento de riscos e instalações elétricas de acordo com as normas técnicas vigentes;


No caso de garagens externas, as regras são um pouco menos restritivas, dispensando, por exemplo, a obrigatoriedade de sprinklers.

Ilustração de carregador com sprinkler (chuveiro automático) anti-incêndio
Ilustração de carregador com sprinkler (chuveiro automático) anti-incêndio

As novas regras entram em vigor em 180 dias a partir da data da publicação (último dia 26). Ou seja, deve passar a vigorar no final de fevereiro de 2026. No caso da parte elétrica, como a instalação de disjuntores e interruptores manuais, os edifícios terão de estar em conformidade com as novas normas imediatamente após o fim do prazo.

Já a instalação de chuveiros e alarmes ainda dependem de prazos a serem definidos por cada estado.


Críticas do mercado


O documento foi elogiado em alguns pontos, como na padronização das normas de instalação e nas provisões de segurança dos edifícios novos, mas duramente criticado em outros. As principais queixas partiram da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que emitiu nota questionando diversas diretrizes.


Segundo a entidade, algumas regras são de difícil aplicação técnica para a maioria dos edifícios atuais e impõem custos desproporcionais às garagens. Além disso, o texto traz ambiguidade quanto à instalação de chuveiros automáticos (sprinklers) e detecção automática em toda a garagem quando houver Save (Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos).


Prédios e condomínios terão que adequar suas estruturas
Prédios e condomínios terão que adequar suas estruturas

Outro questionamento é quanto à falta de menção ao risco de incêndio também de veículos a combustão. A ABVE relata que, só no estado de São Paulo, ocorrem em média 16 incêndios de veículos a combustão por dia, ou quase 6 mil/ano, segundo o próprio Corpo de Bombeiros (CB-SP).


Por fim, a entidade diz que os prazos definidos para vigência das regras são inexequíveis e que a exigência imediata das medidas para edificações existentes é incompatível com a realidade de condomínios, shoppings e aeroportos.


Por:Dyogo Fagundes - autoesporte.globo.com/

 
 
 

1 comentário


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